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Off Pitch

Blogue do treinador Bruno Dias

Futebol positivo! Moda ou mudança de paradigma?

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A necessidade e o gosto de ter bola sabendo usa-la de forma eficaz e eficiente e na ausência da sua posse ter um comportamento proativo no sentido de a reconquistar vendo nela a solução para todos desafios que o jogo nos é capaz de lançar a cada segundo. Agir sobre o jogo e ter uma atitude menos especulativa aguardando que os deuses do futebol protejam a forma pouco audaz como o estamos a abordar.

Esta ideia vai muito além das quatro linhas, diria que o desempenho em campo será o reflexo do que se passa fora dele e começa na liderança, sobretudo, do treinador mas também diretiva através dos valores que defendem e, mais importante, que praticam nas suas ações e na sua comunicação tanto interna como externa.

Implicitamente, esta noção está ligada a uma visão mais abrangente e, necessariamente, de médio prazo onde, muitas vezes, o imediatismo é ferido pela necessidade de ter alicerces mais fortes que obrigam a investir mais tempo na sua construção, contudo são estes que permitirão alcançar uma consistência mais forte e duradoura.

Resumindo, será um futebol que vê nas suas virtudes a sua principal arma para alcançar o sucesso e que reconhece que as competências alheias poderão, momentaneamente, vencer as suas e que apesar de as reconhecer e valorizar em momento algum colocam em causa a necessidade de afirmação própria permanente das suas competências e da sua valorização.

Que a discussão da moda se transforme no começo de um novo paradigma.

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Que tipo de treinador és tu?

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Num momento em que discutimos se este treinador é de identidade e o outro é de estratégia, questionaram-me: e tu és de que tipo?

Não acredito na estratégia sem identidade, definindo-a como o padrão comportamental que pretendo que o meu exército se reveja e orgulhe, nem na identidade sem estratégia, definindo esta como o método utilizado para derrotarmos o adversário.

Sou o treinador que quer ganhar sempre, que prepara ao detalhe cada momento para que este o possa aproximar da vitória, que genuinamente quer o melhor para os seus e que o seu interior reflecte a paixão de tornar cada banalidade numa ferramenta, numa motivação ou num momento marcante para alcançar a próxima vitória.

Querer ganhar sempre é muito diferente de ganhar a todo o custo, essas são vitórias sem sabor, é mais que filosofia acreditar que a vitória é mais saborosa quanto mais desafiante for o percurso, é simplesmente constatar a evidência humana de quem já a experienciou e acorda todos os dias com maior desejo de agir de forma coerente e ordenada para o voltar a sentir.

Reflectindo mais profundamente sobre o tema, parece-me chave este equilíbrio entre os princípios e valores que são inegociáveis e os meios e métodos que são flexíveis e escolhidos à medida de cada contexto.

Portanto, sou um treinador gerador de resultados (desportivos e financeiros), eficaz e eficiente a concretizar objectivos, através de uma visão abrangente em diferentes escalas.

Valorizar os Jogadores? Mitos e Verdades...

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Assisti, ontem, a um importante e oportuno debate sobre o futebol português e uma das ideias chave está na necessidade de focar a ação dos treinadores da formação na evolução do jogador, primordialmente, tornando por exclusão de partes a evolução da equipa secundária.

Na escalada até ao alto rendimento, a priorização da importância altera-se um pouco, mas não totalmente, dado que o mercado português é, maioritariamente, exportador pelo que a necessidade de aliar desenvolvimento individual ao colectivo é vital para os clubes de forma a garantir a sua sustentabilidade desportiva e financeira, alcançado bons resultados nas competições que participa e facilitando a alienação dos direitos desportivos dos atletas.

De varia ordem são os contributos necessários para o crescimento desportivo dos atletas sendo central a figura do treinador disponibilizando ao atleta as ferramentas necessárias para que este possa construir o seu futuro.

Todos os treinadores contribuem para a evolução dos atletas, alguns ajudem no seu crescimento e poucos são diferenciadores em momentos chave da carreira destes.

Nenhum treinador fez um jogador, poderá é ter contribuído pouco ou muito, para este se construir a si próprio.

A complexidade da construção humana impede a linearidade deste processo, obrigando aos líderes responsáveis que compreendam a sua real importância neste e, acima de tudo, sejam competentes e corajosos para atuar no momento certo, fazendo o certo!

Dois atletas primeiro ano sénior do mesmo clube, não têm obrigatoriamente as mesmas necessidades de treino e jogo. Como avaliar essas necessidades? Como adequar o treino individual sem beliscar o crescimento colectivo? Como avaliar se as escolhas foram as mais corretas?

Especificamente, a transição futebol formação para alto rendimento têm uma larga janela temporal e diferentes contextos competitivos para o efeito pelo que compreender e saber atuar no fenómeno em diferentes escalas é elemento diferenciador nas competências do treinador.

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Hoje ou Amanhã?

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O resultado imediato é limitador do resultado duradouro? Pode ser ou não.

Compreender a forma como este foi obtido será a chave para responder de forma afirmativa ou negativa a esta pergunta.

No caso dos treinadores, vários são os estudos que indicam que na maioria dos casos, a alteração de treinador, a famosa, chicotada psicológica, embora favorável a curto prazo, não provoca alterações de rendimento das equipas a médio-longo prazo, exemplos são inúmeros a é o Bruno Lage, o actual treinador do Benfica.

Compreender o resultado imediato será avaliar o impacto emocional que uma mudança de liderança provoca no rendimento imediato dos jogadores, alterações táctico-estratégicas que são novidade para os adversários, entre outros motivos estas causas vão perdendo fulgor com aumento do conhecimento interno e externo do trabalho e é nesse momento que a qualidade deste e, principalmente, a sua consistência é colocada em causa e terá de se confirmar.

Num olhar mais abrangente, o mesmo ocorre nas nossas decisões quotidianas, por vezes, aceitar um desafio profissional que no imediato irá aumentar os rendimentos exponencialmente poderá significar estar mais longe de alcançar os objectivos estabelecidos ou pelo contrário poderá ser um importante passo na estrada a percorrer para os alcançar. Esta multiplicidade factorial é condição do humano e só o próprio encontrará a resposta certa porque não conseguirá viver constantemente na azafama do imediatismo nem na angustia da longevidade do percurso.

As 3 lições da Liga dos Campeões

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  1. Sonha! E quando sonhares, sonho alto...

O Ajax liderado por Ten Hag iniciou a participação nesta edição da prova, na 2º Pré eliminatória, sonhando chegar à final.

Não concretizou o sonho mas vivenciou-o e se apontasse apenas chegar à fase de grupos, provavelmente, daí não passaria.

  1. Prepara-te e confia no teu trabalho

O Tottenham de Pochettino, na 5º época à frente do clube, não contratou qualquer jogador na presente temporada e alcançou a final de forma épica após a improvável eliminação do Manchester City, nos quartos de final, e de no último suspiro em Amesterdão, após ao intervalo ter uma desvantagem de 3 golos na eliminatória, selou a passagem para a sua primeira final nesta competição.

  1. As adversidades vão surgir e nunca, nunca, nunca desistas!

Épica foi também a história escrita pelos comandados de Klopp, em Anfield, remontando uma eliminatória perante o Barcelona de Messi que tinha vencido por 3-0 em Camp Nou. Sucumbiu o Barça perante a interminável crença e energia dos Reds.

 

A Taça será entregue apenas a um mas todos ficam na história e todos são bem sucedidos.

 

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Como navegas?

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Todas as oportunidades são boas, mas serão todas boas para mim?

É fundamental, identificar e valorizar, todas as oportunidades que nos são concedidas e aprofundar o mais possível cada uma delas para que a escolha seja congruente com os objectivos traçados.

Quando maior é a convicção que os objectivos propostos serão cumpridos e que a estratégia delineada para os alcançar é mais adequada, maior será a capacidade de análise do contexto a cada momento, aumentando desta forma a eficácia das decisões e a probabilidade de a eficiência também crescer no caminho que escolhemos.

Esta leitura permanente do contexto permite um avanço seguro e aumenta a consistência enquanto indivíduo e profissional.

A opção de não saltar etapas da estratégia definida, poderá ser vista como ato de insegurança por muitos, que tomam decisões em função do imediato, e por ato de sabedoria por poucos, que tomam decisões em função do seu propósito.

A mesma oportunidade poderá ser fantástica para um indivíduo e pouco sedutora para outro e ambos serem coerentes com a sua visão.

Só quem tem um propósito é que consegue adiar a satisfação momentânea para que a recompensa final (realizar o seu propósito) seja alcançada.

Manter-se inabalável na convicção de êxito em alcançar o propósito é próprio de quem “navega” com um destino marcado e com rota definida ao invés quem vê no imediato o sucesso possível opta por uma navegação à vista e muitas vezes não vislumbra o destino ou opta por rotas que o afastam deste.

Na tua carreira optas por navegar à vista ou com destino e rota definida? E na tua organização, qual o princípio que preside à escolha das oportunidades a agarrar a cada dia?

3 Perguntas Facilitadoras do Sucesso

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Durante 7 épocas contratei treinadores para concretizar diferentes objectivos: subir de divisão, garantir a manutenção, promover jogadores para patamares superiores, primordialmente, e, eram excepção aqueles treinadores que encaixavam, simultaneamente, nos diferentes perfis, por vezes, alguns dos treinadores tinham perfil para garantir a manutenção na época X, e já não tinham, na época seguinte, contudo passaram a ter para subir de divisão, por exemplo.

Se existem algumas variáveis que mudam com o natural crescimento do treinador, existem outras que se mantém mais estáveis e que são essenciais para aumentar a probabilidade de sucesso na contratação do treinador.

As respostas às perguntas:

Qual a visão que o treinador tem do fenómeno futebol?

Qual a ideia de jogo que o treinador privilegia?

Qual a metodologia de trabalho que o treinador privilegia?

Aumentam exponencialmente as possibilidades de sucesso do clube, tendo este claro o seu posicionamento, permitem, portanto, aumentar a congruência dos elementos chave do clube construindo o caminho conjunto a trilhar.

Será tão diferente nas organizações não desportivas? Deverão os recrutadores contratar aqueles que pretendem que liderem sem garantir esta congruência de ideias?